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Aspectos técnicos de radiotécnia – Equipamentos e conselhos práticos

Autor: Filipe S. Ferreira
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Experimentando equipamentos de Rádio
Sempre gostei de experimentar, julgo ser imanente da condição humana e operar emissores e receptores de diferentes marcas e características foi sempre uma boa emoção. Para além da experiência e emoções fica o conjunto de impressões e opiniões sobre o assunto.
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Transceptores usados – Regras Básicas:
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Conhecer o que se compra –  Existem muitas páginas na Internet sobre os equipamentos de rádio antigos e modernos, alguns com opiniões e avaliações (www.eham.net). Ver em revistas, pedir opiniões de radioamadores conhecedores. Necessário ter um conjunto de informações básicas para sabermos o que fazemos: tipo de equipamento, características técnicas, origem e marca, estado geral e antiguidade. Quando tal não é possível e o negócio é para fazer na hora, seguir estas sugestões:
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– Analisar o vendedor – Para evitar desgostos posteriores verificar a idoneidade, postura, discurso, história do equipamento e motivos declarados da venda. Por décadas de experiência pessoal, sei que é importante saber com quem lidamos, já efectuei muitos bons negócios com pessoas que nem conheci. Já efectuei péssimos negócios com pessoas que pensava conhecer bem. O conhecimento de quem vende é importante para nos certificarmos não só do bom estado dos produtos mas também da estimação/utilização que lhe foi dada – muito importante nos equipamentos de rádio.
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– Estado estético/técnico – Se encontrar equipamentos com os parafusos muito moídos nas fendas desconfie, é péssimo sinal e o equipamento pode estar brilhante e sem riscos.   Já comprei equipamentos sujos e com mau aspecto mas que depois se recuperam pois funcionam bem, mas equipamentos com parafusos com fendas brilhantes e de “vários modelos e cores”, significam que o equipamento foi aberto e entre nós há pouca ética e muita curiosidade técnica que danifica os equipamentos, deixando o ônus das reparações para quem compra (esta é das razões principais porque quase desisti de comprar equipamento usado, é desagradável constatar que os equipamentos estão avariados e depois o trabalho e a despesa que dão para os tentar reparar/enviar para reparação).
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Radioamadores estrangeiros costumam ser mais sérios neste aspecto e também mais razoáveis nos preços!
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– O preço – Infelizmente há muitos vendedores sem escrúpulos quanto aos valores pedidos e sem considerarem o uso, antiguidade e dedução do IVA que deve ser feita (neste momento são menos 23% – quem compra usado não pode ser responsabilizado por uma segunda cobrança de IVA, a menos que o vendedor queira reverter esse valor para as Finanças por mecenato!). O comprador de material usado não pode ser onerado/responsabilizado pelo facto do vendedor querer dinheiro para comprar um modelo novo e querer realizar capital à força para comprar outro mais caro. Contráriamente à crença geral os equipamentos usados não valorizam com a antiguidade como o vinho do porto (excepto os de colecção!).
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– O Mito da valorização do usado – Infelizmente entre nós existem ainda aqueles que querem para si o céu e para os outros o inferno, ou seja os equipamentos que usam têm de ser vendidos caros porque tiveram o “privilégio divino” de passar pelas suas mãos. Mas os usados que compram têm de ser pechincha porque foram usados por outros, assumindo por vezes atitudes  vergonhosas a regatear.
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– Existe uma garantia de 6 meses – Muitas vezes os vendedores não assumem a responsabilidade pelos problemas técnicos e avarias, o que é criminoso e uma vergonha para a ética dos Radioamadores. Passei por muitas situações destas ao longo de mais de 2 décadas e tenho em mãos um equipamento militar de colecção há anos nesta situação. A garantia deve ser esclarecida e isto remete para o segundo princípio – Conhecer bem o vendedor!

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Bigear type 2 – o meu primeiro equipamento radioamador

Realmente o meu primeiro VHF fruto de muita poupança e sacrifício, aspecto militar agradável, robusto, sensível e selectivo em FM, excepto no tempo quente com o aquecimento interno dos componentes deixava de funcionar. Ainda assim muitos contactos directos e via repetidor, que nos anos 80 era moda. Primeiras experiências em contactos tropoesféricos com mais de 300Km, primeira abertura em esporádica E com montes de ingleses em FM. Primeira “rabecada” de um ex-CB na altura radioamador de indicativo mais antigo que puxou da antiguidade para ofender, só porque eu tinha aceite mais que 1 padrinho (que raio, será que não podemos ter quantos padrinhos quizermos?). Vendido logo de seguida por desgosto com o radioamadorismo.

Yaesu FT 480 R
 
Segundo equipamento VHF, que sendo usado foi bastante caro, fruto da inexperiência de um neófito que se deixou enrolar. Ainda assim esteve bastantes anos na estação com alguma dificuldade em tirar partido do SSB pela localização e falta de antenas de rendimento. Bom equipamento em sensibilidade e razoável selectividade, limitado nas frequências e na potência máxima de 10 W. Aspecto interessante e robusto com os leds coloridos a fazerem de s-meter.

Yaesu FT 230

Este pequeno equipamento móvel também passou pela minha estação nos anos 80, adquirido usado a preço de ouro. Bom funcionamento geral, sensibilidade razoável, emissão poderosa com 25 W máximos. Memórias, contador digital em LCD, tamanho e peso reduzidos. Na época um bom equipamento móvel de VHF.
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Yaesu FT 290

Grande pequeno transceptor VHF todo-modo portátil, passou pela estação em meados dos anos 80, altura em que era um equipamento de referência muito apreciado. Apesar da potência de saída não exceder 2,5 W era muito dinâmico, versátil, sensibilidade e selectividade razoáveis o que ajudou a que se tornasse icónico para os pioneiros do U-SHF por permitir funcionamento com transverter para frequências elevadas. Memórias, antena telescópica, caixa interna de baterias. O avô do actual FT-817.
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Yaesu FT-747 o meu primeiro equipamento
HF – a minha grande desilusão!
Foi com imensa expectativa e entusiasmo que adquiri em 1987 o meu primeiro equipamento de HF no Sr.Teixeira, Porto. Fruto das poupanças de muitos meses de trabalho nas férias de estudante a servir à mesa, trabalhos árduos na agricultura e muitos dias de roços de parede como electricista aprendiz. Sempre fui um entusiasta pelo DX, pelas antenas e pela técnica e este equipamento sonhava eu, seria a concretização de todos os sonhos. Puro engano, apesar de ser extremamente sensível tinha recepção ruidosa (falta do IF Shift e dos filtros era uma chatice), embora a flexibilidade em banda corrida fosse notável. Já a selectividade era quase inexistente tornando os sinais inaudiveis quando existiam estações fortes perto da frequencia de trabalho. Outra grande chatice era o aquecimento da “turbina” em que estava o andar final, contrastante com o restante equipamento todo em plástico e bastante frágil. Sempre tive problemas na alimentação deste equipamento pois o seu consumo era grande (22 Amp em pico), a falta de regulação de potencia de saída agravava o problema da alimentação e tornavam a saída do equipamento “tudo ou nada”. Para agravar, o botão dial não era deslizante e era uma limitação vencer rápidamente o atrito para chegar às frequências. Fui obrigado a levar à reparação em garantia mais que uma vez por pequenos problemas. As minhas unicas alegrias foram os quase 100 países trabalhados com antenas de arame e verticais. Não foi o pior equipamento que tive, mas o segundo pior e a desilusão da primeira paixão.
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Kenwood TS 820 S – O meu primeiro grande equipamento!
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Este foi o meu primeiro grande equipamento de onda curta, linha completa usada adquirida a um futuro radioamador. Material de excelente qualidade e em bom estado de conservação provindo dos EUA, apesar de antigo e andar final válvulado foi surpreendente verificar a sua qualidade de transmissão e recepção – nada de parecido com o Yaesu 747! Muitos DX e longas horas de puro prazer em disfrutar da comunicação com todo o Mundo, ainda hoje considero este equipamento um dos melhores que passaram pela estação. Esteve mais uma década na minha estação sem grandes problemas a não ser troca de válvulas esgotadas, neutralização do andar final (por sinal mais fácil do que o topo de gama Yaesu FT 102), limpeza de contactos que oxidavam e tornavam leitura digital de frequencia aleatória. A sua construção modular, solidez mecânica, qualidade de componentes, circuitos, regulações, manual de instrução eram notáveis. Estabilidade de frequencia ao nível de outros equipamentos de estado sólido modernos, filtragem notável e eficiente, painel de comandos grande e bem organizado. O áudio era fantástico e de grande fidelidade através da coluna da linha 820 com 2 filtros. Mesmo VFO externo da linha 820 era de tal forma bem construído que a variação de um trimmer permitia trabalhar fora das bandas normais com identica qualidade e saída. Ainda na linha o transverter para 144 MHz que funcionava perfeitamente mas com a sensibilidade própria da sua idade, ou seja duro de ouvido.
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Kenwood TS 780

Fui possuídor de um destes transceptores topo de gama usado, comprado a peso de ouro por mim inexperiente jovem radioamador em 1985. Aspecto visual fantástico e robusto, sensibilidade e selectividade notáveis em V e UHF, potência razoável de 10-15 W. Começou a ter intermitências na saída e como temi pelos ICs do PLL acabei por me desfazer dele por troca numa loja comercial. Enganado na compra e enganado na venda quase ao desbarato!
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Kenwood TS 770
Também passou pela estação este transceptor V-UHF todo-modo nos anos 80, sensibilidade razoável, selectividade medíocre, saída de 10-15 W o usual nesta gama. Controlos grandes e fáceis de manejar, boa qualidade de construção, apesar de tudo não cativou talvez por ter já passado o TS 780, uma evolução de maior qualidade que este. 
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Kenwood TS 830 S
Também passou pela estação este excelente transceptor de HF, evolução do TS820 com as bandas WARC. Excelente receptor, boa sensibilidade e selectividade, emissão muito boa com o amplificador valvulado com as 2x6146B e a driver 12BY7A. Filtros a funcionarem perfeitamente, robusto, equilibrado, um prazer na recepção. Troquei por outro equipamento e depois arrependi-me, até hoje!

 

Atlas 210 X – o pequeno grande equipamento de Onda Curta

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Fui possuidor feliz de um destes pequenos equipamentos fabricados pela extinta companhia americana que na época (anos 60-70), dominou o mercado dos transcetores solid state, superando mesmo os japoneses, sinal de uma hegemonia que se perdeu na história. Esta empresa foi à falência com estertor, pois aventurou-se na construção de um modelo identico de leitura digital e PLL de sintese de Frequencias. O resultado foi que não produziram em série e deixaram muitos clientes que os pagaram antecipadamente sem dinheiro nem equipamento. Mas o meu enfoque vai para as características deste equipamento, não era a sensibilidade radioeletrica que o distinguia pois era “duro de ouvido” não possuindo front-end de amplificação. Tão pouco a sofisticação em que os japoneses são fortes ou a potencia de saída que era para a época uma revolução com 100 W PEP num equipamento miniatura transistorizado. As suas virtudes eram a filtragem dos sinais, robustez e fiabilidade (postas à prova numa expedição aos pólos que superou expectativas), dimensões e consumos. Era um verdadeiro prazer escutar os sinais nestes equipamentos, surpreendente a sua construção em módulos bem arrumados, filtro de cristal de 8 pólos, andar final rebativel, tambor rotativo com cordão que definia a leitura da Frequência. Foi em 1993-95 que fiquei com 2 destes equipamentos que o Tiago Frederico-CT1WW possuía, foi ele que mos descreveu e que me contagiou com a sua preferencia. Guardo uma boa recordação destes equipamentos.

 

Yaesu FT-200 “rabo quente”
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Na busca quase incessante pela técnica e equipamentos de rádio, efectuei uma troca com o colega e amigo António Maia – CT1DVW em finais dos anos 80, que me tornou possuidor de um destes antigos transcetores de onda curta valvulados, velhas glórias dos anos 60 que tantas histórias protagonizaram no Continente e colónias ultramarinas na época do império. Apesar das suas limitações em estabilidade de Frequência, bandas de trabalho, consumo, peso e sensibilidade, era um autêntico “tanque de guerra” em funcionamento. A sua generosa potencia de saída de 200 W PEP, valvulada (mais consistente que a debitada por componentes de estado sólido), tornavam-no um peso pesado nos QSOs em 40 e 80 metros. Era uma prazer trabalhar com este equipamento no Inverno pois para além do seu bom funcionamento radioeletrico aquecia confortávelmente o chaque rádio, se o mesmo fosse acanhado. O meu Pai, radioescuta fundamentalista, tinha um interesse especial a ver-me operar com esta máquina uma vez que era radiotécnico da velha guarda dos tempos das válvulas. Apanhei os meus primeiros choques eletricos ao fazer neutralização das suas caras válvulas de saída – 6JS6?
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Halycrafters FPM 300
Passou fugazmente pela estação uma destas antigas máquinas, talvez proveniente de dono inicial descuidado estava bastante mal tratado e desafinado. Apesar de receber razoávelmente a sensibilidade não era famosa, variava muito em frequência tanto em emissão como em recepção, o que foi fatal para o oferecer ao CT1AL para a sua colecção.
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O SWAN 700CX
 
Este foi o melhor transceptor válvulado que tive, durante muitos anos foi o glorioso equipamento do CT1BY, tendo depois passado pela minha estação. Potencia de saída em dose abundante com mais de 500 W PEP, apesar da sua idade e limitações de sensibilidade, bandas de trabalho e leitura analógica de frequências, era um assombro a fazer contactos rádio. Mas o que ainda hoje me surpreende era a sua estabilidade de frequência, incrível após aquecimento inicial. A sua construção e qualidade eram notáveis e as imagens de marca da industria americana, sólido, robusto, construído para operadores XXL. Deixou saudades e grandes recordações.
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Heathkit HW 5400
Outro equipamento de HF que o CT1WW me cedeu, económico, razoávelmente eficiente não conseguiu contudo cativar a minha simpatia. Sensibilidade e selectividade muitos furos abaixo dos japoneses, pouco flexível e algo monolítico. Apesar de tudo foi a minha primeira experiência com a marca tendo em conta que são equipamentos construídos e afinados por radioamadores, algo que começa a estar na moda de novo.
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Ten Tec Argonaut 509
Fui feliz possuídor de uma destas simples e eficientes máquinas, apenas o alienei para reduzir o material da estação de rádio, com mágoa. Recepção sensível mas não demasiado, selectividade razoável, potência máxima de 5 W, boa estabilidade de frequência apesar do leitor de quadrante não permitir leitura rigorosa. Boa modulação e saída, comprovada em muitos contactos sendo alguns DX. A construção modular com imensas placas de circuitos interligadas tipo construção caseira, é agradável e contraponto à miniaturização industrial japonesa. Muito acessível a afinar e reparar.
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Ten Tec OMNI 4 e 6
Também passou pela estação mas fugazmente, boa qualidade de recepção e razoável emissão. Um pouco monolítico sem banda corrida, algo dificil de flexibilizar com o CW a exigir relai externo para full break-in em CW. Para quem está habituado aos japoneses este parece de “carregar pela boca”, foi permutado por outro material. Antes já tinha passado pela estação um antepassado o OMNI 4 ou 5, mas muito negativo no teste e foi posto a andar rápido!

 

Kenwood TS 450 S – cavalo de guerra do DX
Este foi o equipamento que mais tempo permaneceu na estação, comprado novo nos EUA em 1993. Um excelente transcetor de HF, boa selectividade e filtragem (comprei mais tarde o filtro de SSB), possibilidade de comutação de filtros para as F.I. era excelente, visualmente era bastante apelativo com os leds e luzinhas brilhantes(pena não ter Smeter analógico). Aquecia em demasia o dissipador do andar final mas ventiladores funcionavam sem problema, banda corrida em HF e bastantes memorias eram outras mordomias. Limitava a potencia de saída o que era excelente para QRP e baixar consumo, realizei muitos DX com este equipamento e nunca tiva uma avaria ou qualquer problema em mais de 15 anos de serviço.
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Yaesu FT 301 – O pior equipamento que tive
Sem dúvida o pior equipamento que me passou na estação, resultado de outra permuta com o CT1DVW. Chegou-me usado e com muitos anos de trabalho e maus-tratos, pelo que reservo um pouco a minha opinião quanto à concepção do equipamento, recepção deficiente, variações de frequência, fraca qualidade de áudio, fraca selectividade, elevado consumo, ineficiência dos filtros, contador digital de frequencias sobreaquecia e tive de lhe fazer uma alteração na alimentação dos digitos para baixar a temperatura e aumentar a durabilidade dos ICs que mostravam os digitos. Internamente tinha um sistema de módulos semelhante ao FT-7 mas com afinações complicadas, baixa qualidade de construção mecânica, estética de gosto duvidoso.
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Yaesu FT 77 – caixa de pregos
Passou e não deixou saudades, apesar de pequeno, versátil, boa aparência estética, uma grande desilusão em funcionamento. Sensibilidade exagerada, selectividade medíocre, falta de filtro de banda SSB, apesar de ter 100 W de saída e modulação razoável. Penso que a filosofia de concepção foi básica para móvel, mas um filtro ajustável FI é quase obrigatório para se rentabilizar a extrema sensibilidade em recepção pois só existe um atenuador de 20 dB em alternativa.
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Kenwood 711 e 811 – par de equipamentos todo modo V-UHF
Provenientes do Tiago-CT1WW, mas conseguidos através de permuta de vários equipamentos com um radioamador de Lisboa. Grandes equipamentos em sensibilidade, selectividade, qualidade de áudio, memorização, manuseamento, potência de saída razoável com 25 W reguláveis. Na altura eram topos de gama da marca e muito valorizados, deram-me muitas alegrias em contactos a longa distância em 144 e 432 MHz. Afinados com gerador de sinal de laboratório para a faixa de SSB eram notáveis com sinais fracos.

Yaesu FT 620 – velha base de 6 metros

Este equipamento vendido por um radioamador de Lisboa proveniente da América do Sul, não esteve muito tempo na estação. Limitado na sensibilidade, banda de trabalho e sobretudo potência – apenas 10 W para um caixote enorme! Não foi grande “espingarda” talvez por ser de leitura analógica e de obrigar sempre a “andar aos papeis” para ter a certeza da frequência em que estava, alguns fugazes contactos mas sempre com a insegurança de não saber bem em que frequência estava. Áudio medíocre e tecnologia ultrapassada.
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Kenwood TS 120 S – velho mas bom
 
Um bom equipamento apesar de antigo e com bastante uso, chegou-me de autocarro de turismo com uma pancada que lhe partiu a traseira proveniente de um rádio clube alemão num negócio através de DL3FDN-José. Funcionamento bastante bom em emissão, apesar das limitações do equipamento o filtro funcionava bem, razoável selectividade e sensibilidade. Resistência mecânica muito boa, robusto, bem construído, simples de utilizar sem memórias nem menus, electrónicamente acessível e bem elaborado. Qualidade de áudio Kenwood. Depois de o ceder procurei o TS-130 com bandas WARC mas sem êxito até hoje.
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Yaesu FT7B – a surpresa da economia
Equipamento proveniente da Alemanha com o TS-120, chegou com algumas mexidas que foi preciso afinar em frequência, modulação, sensibilidade até pintura da caixa, o que demorou algum tempo a deixar em condições. Ainda assim foi curioso trabalhar com este equipamento móvel económico, super-regenerativo que só debitava 50 W máximo. Muitos contactos e alguns DX que  me fizeram acreditar que os equipamentos mais básicos seriam os ideais para permitir a todos conseguir comprar a custo médio entrada nas comunicações em Onda Curta. Mais tarde com o Atlas 210 X voltei a reflectir no mesmo!
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Icom 730 – equipamento espetacular
Sempre alimentei uma certa curiosidade e boa cotação pelos Icom’s, este velho e usado IC-730 veio exceder as minhas expectativas na recepção, filtragem, manipulação, estética, construção electrónica e robustez. Foi um pequeno-grande equipamento no seu tempo e ainda hoje continua a ser uma referencia. É um superheterodino de tripla conversão com circuitos passa-banda individuais, uma maravilha em recepção sem o ruído dos equipamentos modernos. A sua emissão é bastante boa e consistente com uma modulação aguda característica, talvez influência do microfone condensador. Existe o filtro opcional FL-30 que ainda hoje custa uma fortuna, optimizando este equipamento – o IC 740 idêntico em circuitos, possuí todos os filtros opcionais do IC 730.
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Icom 560 – primeiro transceptor de 6 metros (Radio de baixo)
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Foi o Tiago-CT1WW que me vendeu este equipamento, impulsionando-me em 1991-92 para a banda mágica numa altura em que era necessário pedir licença especial renovável. Bom equipamento, sólido e robusto, sensibilidade razoável, boa selectividade, fazia falta mais potencia dos que os 10-15 Watt. Ainda assim foi um equipamento que deixou recordações pela nova banda explorada e muitos contactos DX em VHF com antenas autoconstruídas.
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Icom 290H
Passou pela estação uma destas máquinas, com muito uso mas ainda assim um excelente equipamento. Boa recepção com razoável sensibilidade e boa selectividade, boa emissão com 25 W generosos e boa modulação com o punch do micro condensador. Embora antigo e pesadão para móvel, um  equipamento de guerra para VHF todos os modos. Recordo que o s-meter não mostrava sinal luminoso apesar de receber sinais fracos perfeitamente audíveis.
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Icom 551 D
Este transceptor passou algum tempo pela minha estação, robusto, sólido e com 50 W de saída regulável nos 6 metros. Limitações de frequência de trabalho e alguma fraca sensibilidade não o deixaram ficar na estação. Era um bom equipamento embora o que me calhou tivesse um problema na modulação com alguma distorção reportada. Microfone condensador com a modulação aguda característica.
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Icom 575H
Proveniente de uma troca de equipamentos, este espectacular transceptor esteve uns anos na estação com alguns bons contactos efectuados em 6 metros. Boa sensibilidade e selectividade na recepção, um pouco agudo no som do altofalante interno, emissão espectacular ajustável até 100 W. Trabalhava os 10 e 12 metros em banda corrida, pena não chegar aos 21MHz. Desagradável para além do áudio o s-meter de CB, podiam colocar algo melhor num equipamento deste nível!
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Icom 725
Passou pela estação e com sucesso, um pequeno grande equipamento, básico  e económico mas com boa sensibilidade, razoável selectividade, emissão eficiente e com 100 W. O s-meter comum ao 575H, ponteiro pequeno e nervoso. Muito versátil e de qualidade razoável, superheterodino de tripla conversão. Deixou uma boa impressão.
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Yaesu FT 980
Este imponente transceptor passou pela estação mas não ficou. Recepção com boa sensibilidade mas selectividade medíocre, emissão razoável com 100 W. Apesar das grandes dimensões (talvez o maior equipamento transistorizado que passou pela estação), desagradou-me a complexidade dos imensos botões e controlos, a estabilidade electrónica não me convenceu e achei-o pouco fiável no sistema PLL.
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Yaesu FT 767GX
Equipamento grande, pesado mas apesar da idade robusto e eficiente. Pode levar 3 módulos inseridos na traseira que fazem do FT-767 um equipamento  polivalente por excelência com HF, VHF, UHF. Sintonizador automático eficiente que funciona até aos 160 metros, sensibilidade razoável, selectividade não muito boa – estações fortes próximas empastelavam o receptor, fonte de alimentação incorporada que alimenta o equipamento e o amplificador de saída a 50V. Painel grande cheio de botões e controlos, medidor polivalente, atenuador iluminação do painel.  Trabalhei com o módulo de 144 MHz que apesar de ser util não tinha a sensibilidade dos equipamentos monobanda, mais tarde consegui adquirir o módulo 6 metros e fiquei com melhor impressão, embora a potência de saída de 10-15 W não fosse ideal. Na época de lançamento um topo de gama mas o peso dos anos deixou-o para trás.
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Yaesu FT 726 R – Super equipamento de satélite
Este equipamento subsiste na minha estação fruto de uma troca com uma móvel V-UHF. É antigo e chegou mal estimado, com módulo de UHF sem saída ao que se juntaria o de VHF pouco tempo depois! Depois de muita chatice procurando avarias verificou-se que eram os relais que estavam isolados – outro dos defeitos frequentes da marca com componentes de má qualidade a deixarem ficar mal bons equipamentos, o FT 102 também sofre do mesmo mal! É um equipamento espectacular no funcionamento, grande sensibilidade e selectividade razoável, filtros IF Shift e Widht, possuí dois módulos com V-UHF e um terceiro que pode ser 50MHz ou 21-30MHz para os antigos satélites RS. Memórias, 2 grandes medidores, aspecto imponente e robusto. A fonte de alimentação é subdimensionada e aquece muito, liguei directamente aos 13,8Volt externos. Saída regulável até 10-15 Watt o que é limitado para os dias de hoje mas na sua época foi topo de gama revolucionário para V-UHF satélite e SSB.
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Kenwood TS 440 SAT
Grande máquina de fazer rádio, robusto, sensível e selectivo na recepção em HF, saída consistente e com mais de 100 W. Possuí uma destas máquinas com bastante uso mas ainda assim extremamente eficaz, o sintonisador de antena automático é eficiente e rápido, entrado directa de frequência, 100 memórias, filtros opcionais eficientes, filtro IF Shift muito bom, Notch razoável. O medidor com agulha vermelha é bastante confortável para a vista, ainda me custa a adaptação para os medidores modernos de barras em LCD. Existiram séries iniciais com problemas de soldaduras frias e PLL deficientes, mas no global um transceptor marcante para o mercado.
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Yaesu FT 7800
Este pequeno transceptor V-UHF móvel foi uma agradável surpresa, embora mecânicamente não seja um prodígio de robustez a sua recepção tem boa sensibilidade e selectividade, boa emissão FM musculada com 35/50 W. Muito fiável e prático de usar após se ler bem o manual e programar memórias e menus, o que achava extraordinário num equipamento deste nível era a recepção alargada desde banda aérea em AM até aos 800-900MHz, parando pelo meio nos 200-300MHz onde escutar o satélite “bolinha” era um prazer. Tive pena de o trocar pelo FT 726!

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Yaesu 8900

Embora da mesma série do 7800 não tem muito a ver na fiabilidade, mais complexo na programação e operação, tribanda 440, 145, 29MHz. Recepção boa em sensibilidade e selectividade, achei menos sensível que o 7800. Emissão FM razoável com 50/35W saída. Vendido para ter espaço na estação.
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Kenwood TS 570D(G)
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Actualmente o transceptor de serviço na estação, evolução da linha 430/440/450, muito bem elaborado com os problemas de aquecimento dos antecessores completamente resolvidos. Boa sensibilidade e razoável selectividade que melhora com a aplicação do filtro de cristal opcional, sistema de menus bastante acessível, painel digital de grandes dimensões e fácil leitura, gravador digital que memoriza 3 gravações – uteis para não gastar energia a chamar, liga-se o papagaio c/Vox e ele repete, repete!
Regulação de potencia por Menu o que é óptimo, sintonizador automático que funciona bem e sem os servos dos antecessores. Muito versátil e fácil de manejar.

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Yaesu FT 897D
Transceptor em serviço na estação, adquirido por troca e com uma avaria não declarada que depois deu muito trabalho a resolver – graças ao Ct1ENF foi reparado, o dono original meteu-lhe RF e queimou transistor SMD que funcionava no pré-amplificador de 50 MHz, e estes componentes SMD parecem pulgas! Apesar do ruído de fundo na recepção é um equipamento bem conseguido, versátil, polivalente, estética agradável e robusto, boa sensibilidade, razoável selectividade, o meu equipamento para 6 metros e portátil. Opções são exorbitantes em preço, fonte alimentação incorporável, baterias, sintonizador de antena automático e filtros. Não entendo como um filtro mecânico de FI pode custar perto de 200€, sintonizador 300 quando o equipamento custava 700!
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Yaesu FT 817 ND
Pequena maravilha da técnica, um grande lançamento da marca na senda do QRP e a lembrar o FT-290 mas com tudo dentro: HF, V-UHF. Funciona muito bem, boa sensibilidade, razoável selectividade com filtro IF Shift e tudo! Pena que não seja de banda mais alargada em VHF e UHF e só tenha 5 Watt de saída máxima ajustável, com 15 ou 20 W seria perfeito. Ainda assim um marco no Radioamadorismo utilizado mesmo por forças de segurança e militares em todo o Mundo. A bateria de origem é uma desilusão com baixa capacidade e duração, filtros opcionais são muito caros e custam quase metade do preço do equipamento. Cuidado especial com a alimentação para não queimar o andar final que é muito sensível.
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Yaesu FT 102
Este transceptor de Onda Curta é o meu preferido desde que comecei a sonhar com o Radioamadorismo nos inícios dos anos 80, para mim foi o mais bem conseguido equipamento da marca e dominou o mercado até finais anos 80. A sua plataforma técnica foi de tal forma inovadora que ainda actualmente influência as gerações dos FT-1000.
Sou o feliz possuidor de uma destas máquinas completamente funcional, eficiente e performante, de tal forma que nos DX do século XXI ainda é muito reconhecido e elogiado na emissão e modulação, quanto á minha própria impressão auditiva a sua qualidade é ímpar, não consegui até à data escutar melhor e com mais qualidade nos transceptores actuais incluindo os que possuem Processamento Digital de Sinal – DSP. Não quero ser fundamentalista pelo que da minha experiência apenas o FT-1000D e o TS-870 possuiam melhor recepção (possuem o DSP na Frequência Intermédia Heterodina e não na etapa de áudio), claro que os mais modernos estarão eventualmente à frente nesta área, mas ainda hoje entre especialistas existe a corrente que é favorável aos circuitos sintonizados de rádio em detrimento dos circuitos digitais.

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Neutralizando válvulas do FT-102

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Mas focando-me no objectivo da neutralização das válvulas do amplificador de Potência do Yaesu FT-102, o processo vem descrito na pág.40 do manual de utilizador, com avisos em caixa e letra grande sobre o PERIGO da ALTA TENSÃO no compartimento blindado onde estão as válvulas. Atenção que mesmo desligado os condensadores mantém a carga pelo que é necessário com uma chave de fendas com cabo bem isolado encostar entre o topo das válvulas e o chassi para descarregar os condensadores (Chassi ligado à terra), vai saltar uma faísca ou outra até a descarga estar efectuada. Este passo é necessário para trocar as válvulas por outras, se não for o caso e for apenas para neutralização das que existem não é necessário remover as tampas metálicas da caixa blindada do andar final, existe um orifício por cima onde se introduz uma chave de fendas não metálica ou chave isolada ponta não magnética para afinação do condensador variável TC1. A Frequência de ajuste é 29 MHz e deve-se utilizar alguma Potência de saída perto dos 70% da total, carga fictícia 50 Ohms – 150 Watt. Afinar o Plate, Load, Drive verificando no medidor IC para chegar ao mínimo de corrente de placa. Encontrei dificuldades em conseguir o efeito pretendido desta forma pelo que recomendo que depois de estar tudo sintonizado se coloque em EMISSÃO e se regule o TC1 para o mínimo de corrente de placa. Foi assim que consegui com facilidade encontrar o ponto de neutralização, tendo depois no PLATE ajustado ligeiramente para cima e para baixo verificando que a Corrente de placa subia e a Potência de saída baixava.
Ultima palavra para a nostalgia de funcionar com equipamentos deste calibre ainda com válvulas, é uma experiência marcante para quem utiliza estes componentes em amplificadores de Potência, o sinal de saída amplificado é verdadeiramente linear e nota-se facilmente pela medição dos picos de Potência que são bem mais consistentes que os componentes de estado sólido. Diria que os transístores são mais “mandriões” na amplificação de Potência!
Deixo-vos algumas fotos, reparem na estética do FT-102 difícil de ultrapassar!

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Icom IC 740

 

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Finalmente consegui adquirir uma destas máquinas por cortesia de um colega finlandês a residir em Portugal, devo acrescentar que este transceptor vinha com a fonte comutada interna instalada e para além disso tive o brinde de conhecer um radioamador excepcional com uma família fantástica. Fiz muitas centenas de Km para ir buscar este equipamento e nunca esperei ser tão bem recebido, ter um ambiente familiar tão inesperado como cordial, simpático e solidário. Fiquei com pena de não poder trazer também um IC 751, mas sabem que estamos em tempos difíceis! Já coloquei o IC 740 no meu teste de admissão à estação – 24 hr de funcionamento consecutivo com períodos de transmissão em todas as bandas e com DX para muitos países e Continentes. Depois deste ensaio passado tenho a constatar que as minhas expectativas foram alcançadas, excelente receptor – áudio muito agradável com tonalidade adequada que pode ser regulada, pré-amplificador poderoso, intermodulação muito reduzida, filtros eficientes e de qualidade, sensibilidade notável. Transmissor potente e sensível através do característico microfone condensador pré-amplificado, regulação de ganho de micro, compressor eficiente, regulação de potência de saída, amplificador de potência eficaz e bem ventilado assim que inícia TX. Não tem memórias para além de 1 por banda, não tem receptor de cobertura geral (mas adquiri o IC740 para provar uma teoria pessoal de que os equipamentos sintonizados para bandas determinadas têm melhores características que os modernos transceptores broadband DSP),não tem entrada directa de frequência, não tem menus, mas é uma máquina de guerra. É um verdadeiro deleite escutar os sinais de rádio com este equipamento, fruto de cuidados circuitos de filtragem monobanda. Já tive o IC 730 e gostei, mas este IC 740 está uns furos à frente e é mais equipamento.
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Icom IC 751
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Consegui finalmente ter esta velha glória nas pontas dos dedos, confirmando a minha teoria de que os equipamentos de rádio com circuitos sintonizados de boa qualidade são iguais/por vezes melhores aos equipamentos geração DSP. Recepção muito suave (desligar o Pré-amplificador em condições normais pois tem sensibilidade suficiente), sem a ruideira característica de outros equipamentos modernos, selectividade e filtragem de bom nível, saída de áudio razoável tendo em conta o tamanho do altofalante. Emissão de bom nível, sensibilidade em SSB à modulação áudio, saída consistente e regulável de 10 a +100 Watt. Estética de bom nível, memórias, filtragem de série e opcional de bom nível (filtro CW que é mesmo bom). Fonte interna a funcionar razoávelmente, ventilada. Sistema de arrefecimento do andar final é bastante eficiente com ventilador com 2 velocidades, caso aqueça em excesso corta metade da saída para proteger os transistores. Um senão do sistema de bateria da memória RAM que ainda nem sei como irei resolver, esquisito usar a tecla de função para mudar de modo. Gostaria de ter tido um destes novo pois o meu é em 2ª/3ª mão, mas nos anos 80 custavam pequenas fortunas e só estavam ao alcance de previlegiados!
O Ic 751 teve um acidente cerebral, primeiro sintoma foi deixar de funcionar abaixo de 10 MHz, VFOs, memórias, TX-RX. Rápidamente fui adquirir 2 baterias CR2032 porque CR2450 não encontrei, construi uma placa com 2 suportes de bateria canibalizados numas placas de computador, juntei uns díodos para evitar inversão de corrente e conforme instruções saquei a placa e no pino 2 do IC e na junção dos díodos da Icom Ram, soldei os fios da alimentação do circuito que construí para garantir a alimentação da placa de memória que contem o sistema operativo do IC 751. Já não fui a tempo, o paciente ficou em morte cerebral, digitos funcionavam embora nos 500-600 MHz, de resto morreu!
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piexx+placa
Lembrei-me de consultar de novo o site da PIEXX para ver quanto custava a IcomEprom e preços de portes, decidi-me mandar vir dos EUA esta plaquinha para ressuscitar o velho IC 751. Demorou menos do que pensava e por um custo total de 92,5€ ali estava a memória para implantar no transceptor em coma, nem esperei pelo fim do dia e foi logo depois do almoço que decidi fazer a “cirurgia”. Reanimação total e sem ter de configurar nada, grande produto que aconselho a todos os que possuem Icom 745, 751, 271, R71. O serviço é rápido, bem embalada e isolada, mesmo plug and play – acertar com os pinos de encaixe sff!
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Publicação de  8th November 2011 por Filipe S. Ferreira
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